13 julho 2010

Entre batalhas e trajetórias


Penso que estou atravessando um deserto, suportando altas temperaturas, fome, sede e cansaço. Mas a travessia não é impossível. Pelo caminho vejo os rastros do que já passaram e alcançaram o oásis. Ao meu lado, vejo muitos que já desistiram. Uns aguardam a morte com a boca cheia de dentes, outros têm seus corpos em estado de putrefação. Desistiram. Nessa jornada, não estou só. Muitos começaram comigo, outros me acompanharam no caminho. Agora, relembro os amigos que desistiram, os amores que não suportaram as tempestades e aqueles que desistiram com a mais leve brisa que antecede a noite. Eu continuo lá. Às vezes caminho a passos largos, outras vezes páro, choro, fico de joelhos. Mas até hoje nunca desisti, embora o pensamento já tenha me visitado em várias ocasiões. Quando penso em tudo, fico orgulhoso de mim, de tudo que passei e sinto-me revigorado ao pensar que chegarei lá. Como diz a canção: “nem tão longe que eu não possa ver, nem tão perto que eu possa tocar”. Sinto pelos que desistiram. Sofrerão por terem escolhido ficar no meio do caminho. Morrerão aos poucos. Outros, de tão pessimistas, se conformarão com o deserto. Aos poucos, farão parte da paisagem. Em meio a areia construirão seus abrigos. Tolos, tentarão erguer uma construção mais sólida, e passarão o resto dos dias se perguntando porque tudo sempre desaba. Eu sigo meu caminho.